GENEALOGIA DOS LUSTOSA CABRAL NO BRASIL
E SUA LOCALIZAÇÃO EM PATOS – PARAÍBA
Alfredo Lustosa Cabral
Os irmãos Antônio e Francisco Ferreira Lustosa de Aragão, filhos da antiga Vila Lustosa de Portugal, vieram para o Brasil com largos recursos, desembarcaram em Recife e fixaram residência em Goiana - PE, em fins do século XVII ou início do século XVIII.
Francisco algum tempo depois estabeleceu em Minas Gerais e por lá residiu na Fazenda Ouro Fino, tornando-se milionário. Teve grande geração, espalhando-se pelos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e parte da Bahia.
Antônio, depois de grandes negócios de açúcar em Goiana, que foi naquele tempo na exportação do produto para Portugal um grande empório, empreendeu uma excursão pelos Estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Paraíba.
Ao chegar no vale das Espinharas em Patos (Paraíba), ficou encantado com os campos apropriados à indústria pastoril. Tratou logo de fazer aquisição de largas faixas de terra onde constituiu numerosa família.
Sua descendência espalhou-se pelo Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Bahia.
Descendem do Antônio, os Lustosa do Norte e os do Sul, do Francisco.
Ouro Fino é, atualmente, uma boa cidade e sede do município de igual nome. Terra rica onde ainda hoje perduram, com evidente projeção, os rebentos dos antigos Lustosa, seus fundadores.
Com a aquisição de terras que fez Antônio em Patos, procurou situar uma fazenda que lhe deu o nome de “Serrota”, por ser bem próxima de um formoso monólito (hoje Espinho Branco), situado à margem do rio Cruz, a uma légua da atual cidade de Patos, naquele tempo insignificante povoado.
Desconhecemos o nome de sua esposa, sabendo, entretanto, que sua prole foi bem numerosa.
Quatro Lustosa desse casal uniram-se por laços matrimoniais com quatro moças da família Cabral de Icó, estado do Ceará, e passaram a residir em varias partes dos sertões, emigrando uns para o Piauí, outros para o Ceará. Tanto que, no Piauí, surgem vultos notáveis como os Barões Antônio e José e seu irmão João Lustosa da Cunha, mais tarde Marquês de Paranaguá, considerado uma das relíquias na história do Segundo Império.
O Marquês de Paranaguá, quando esteve como Presidente da Província de Pernambuco, de agosto de l865 a março de l866, escreveu aos parentes dos sertões das Espinharas, na Paraíba, desejando conhecê-los. O Capitão Antônio de Oliveira Cabral em companhia de uns dois ou três parentes seguiram a cavalo até Recife e ali chegando foram hóspedes em Palácio e tratados fidalgamente.
Mais tarde apareceram da mesma estirpe o Dr. João Cabral, ilustre figura no parlamento nacional como deputado pelo Piauí, que foi professor na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro e notável advogado. O desembargador Luiz Cabral, em Manaus - AM.
Tentaremos, neste pequeno esforço, ocupar-nos, apenas, de JOÃO FERREIRA LUSTOSA, um dos quatro filhos de Antônio, que se entrelaçaram com os Cabral de Icó, Estado do Ceará. Casou-se João Ferreira Lustosa com Vicência Cabral, indo residir na fazenda Serrota junto aos seus pais e sogros, isto pelo começo do século XIX, mais ou menos.
Conta-se que Vicência era bastante altiva, resoluta nos seus atos, de gênio forte, intrépida, matrona respeitável pelo seu porte e atitudes, verdadeira antítese do marido que era pacato, manso, etc.
Eram pessoas de grandes recursos, senhores de vastos latifúndios, muito serviçais e religiosos de convicção.
De seu matrimônio com João Ferreira Lustosa houve quatro filhos.
Era Vicência, como se diz, dessas mulheres que governam o marido.
Enviuvou ainda jovem. Gozava de grande conceito na ribeira de Patos e contava com um elevado contingente de amigos, prontos para o que desse e viesse. Tinha predileção de mando. Na política de então, nada se resolvia em Patos, sem que não fosse ela primeiro consultada. Sempre que se feria um pleito comparecia às urnas com seus cinqüenta ou sessenta eleitores que, no recinto da igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde se realizava a eleição, votavam de “cruz” no candidato do partido amigo. Jamais alguém lhe bateu à porta para não ser atendido e por esta razão sua fama e prestígio irradiavam-se a setores afastados.
Certa ocasião passava por sua fazenda Serrota um indivíduo preso das bandas do Piancó e os soldados ao penetrarem no terreiro da fazenda a vitima gritava: “valei-me Dona Vicência da Serrota”, como era assim conhecida.
O seu busto de mulher forte assomou à janela e fez sinal para o comandante da tropa.
Este se aproximou e em poucas frases narrou a missão de que se achava incumbido.
Vicência, penalizada com a situação do preso, pediu, insistiu, rogou para que o soltasse. Não era possível atendê-la... O oficial passou a explicar os motivos recomendados sobre o sentenciado, de maneira a não ser por modo algum satisfeito o pedido de Vicência.
Em vista do impasse, ela mandou imediatamente preparar condução e acompanhou a tropa à metrópole da Província e ali conseguiu livrar e trazer para o sertão o seu protegido.
Com este gesto de altivez e nobreza de sentimentos que bem caracterizavam as grandes almas, contava Vicência avultado número de admiradores e também alguns detratores.
A corrente política adversa, nesse tempo, infiltrara nas camadas supersticiosas que Vicência tinha qualquer coisa com o demônio porque conseguia o que desejava. Chegaram mesmo a propalar que quando morreu nem a terra lhe consumira as carnes, sendo o seu cadáver atirado em determinadas frinchas do serrote do Espinho Branco, próximo a sua fazenda Serrota.
Ainda hoje há quem acredite nessa história contada ao sabor do tradicionalismo, mas que em realidade não passa de lenda.
Para prova de que Vicência era de excelentes dotes de coração e ardente religiosa, basta vermos o interesse que teve com o sentenciado acima referido e sabermos que a imagem de Nossa Senhora da Conceição existente na Igreja da Conceição da cidade é oferta dela e do marido.
De seu casamento com João Ferreira Lustosa, houve quatro filhos: ROSA, VICENCIA, ANTÔNIA e JOAQUIM FERREIRA LUSTOSA.
ROSA - Era de estatura baixa, caridosa, de bons recursos financeiros e de vocação poética.
Certa ocasião recebeu, no seu sítio Santa Rosa, município de Teixeira a visita de uma pessoa amiga. Saiu Rosa com o visitante a passear por um lindo pomar de
Fruteiras variadas que possuía numa baixa do roçado. Em certa altura notou Rosa que sua companheira colhia aqui e ali pequenos frutos, ocultando-os cautelosamente.
Rosa não se contendo soltou um dos seus improvisos:
Eu bem vejo com meus olhos
Que você está me ofendendo
Porém faço que não vejo
É mundo, vamos vivendo.
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